O livro de LILITH

Ser convidada pela amiga Isabel Wittmann para integrar o Feito por Elas fez com que eu me tornasse muito do que sou hoje e a descoberta de trabalhos de cineastas mulheres foi além do Podcast. Ministrei uma disciplina no Cefet sobre diretoras brasileiras e estudo o filme de uma delas em minha dissertação: O Despertar de Lilith, de Monica Demes (com minha amada Barbara Eugenia na foto acima), entrevistada por mim em um de nossos Drops. A querida Michelle Henriques, que inclusive descobriu a película, sentiu minha obsessão pelo tema e me enviou O livro de Lilith: O Resgate do Lado Sombrio do Feminino Universal, parte da coleção Biblioteca Psicologia e Mito da Editora Cultrix.*

No compêndio, a doutora Bárbara Black Koltuv apresenta uma compilação de fragmentos do Zohar, espécie de livro sagrado cabalístico, entre outros contos e poemas, investigando a história da lenda. Segundo a mitologia hebraica, Lilith foi a primeira mulher, antes de Eva, que criada em condições de igualdade com Adão, não aceitou a submissão, imposição cultural patriarcal, e fugiu para o Mar Vermelho, passando a ser considerada um monstro.

O sagrado está acima e o pecado está abaixo. Lilith está sempre a espreita para aproveitar todo sêmen desperdiçado no coito (e sempre há) e parir demônios. Deusa, bruxa, vampira, diaba com vários nomes e assassina de crianças, ela já foi esposa de Samael, o Diabo, e do próprio Deus, quando separado de Shekhina. Por seu poder de sedução, é capaz de destruir lares, deixando os maridos hipnotizados e infiéis. O controle religioso chega a ponto de sugerir posições sexuais “castas” para que a constante presença de Lilith não desvirtue a concepção imaculada. Seu comportamento subversivo desencadeia medo e tentativas de controle, exploradas pela autora, que apresenta várias fotos de esculturas, amuletos de proteção, além de orações contra Lilith, especialmente para mulheres em trabalho de parto ou durante a amamentação.

Lilith representa o lado selvagem e não aprisionável do instinto e da natureza feminina, e deve ser internalizada, não expulsa e atacada; ou a mulher está fadada a viver apenas seu lado Eva, dócil e submissa. O livro de Barbara Block me ajudou muito a cada página, desde a capa até as orelhas, ao esclarecer vários aspectos que estavam nebulosos em outras leituras. Recomendo não só como estudiosa do tema, mas para todos, e principalmente todas, que estejam dispostas a se conectar com seu “dark side of the moon” a partir da subversão gerada por Lilith, para viver plenamente nossa independência e liberdade.

*Agradeço à Editora Cultrix e peço desculpas pela demora. Já li e reli meu exemplar quatro vezes e graças a ele estou rumo ao primeiro capítulo da Dirce ❤

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