MULHER MARAVILHA

A premissa de Wonder Woman surge a partir da memória de Diana Prince (Gal Gadot) ao contemplar uma foto tirada em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial. Patty Jenkins já estava no panteão das grandes diretoras desde Monster: Desejo assassino (2003). Mas para minha surpresa, finalmente um longa da DC* que me fez comprar gibis! *mesmo que fosse Marvel, eu era até então indiferente a heróis.

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Depois de sermos apresentados ao universo longe do mundo dos homens e à motivação que levou Diane a sair de lá, a muito bem construída inserção na guerra é iniciada num bar, onde a princesa e Trevor vão buscar “reforços” e ela pergunta se aquelas seriam as pessoas “do bem”. Tal maniqueísmo é corrigido à medida que uma turma mista e inusitada se forma, reunindo figuras como o escocês Charlie (Ewen Bremmer ou SPUD! de Transpoitting) – que me lembra ainda Sid da Era do Gelo (2002) em sua cantoria animada; o galante Sameer (Said Taghmaoui) – que causa um nó na garganta ao dizer: “Não queria ser soldado, queria ser ator, mas tenho a cor errada” – e o honrado indígena Chief (Eugene Brave Rock), completando a trupe. Quer mais uma prova de diversidade? A própria Gal Gadot já foi Miss Israel! Porém ainda que Pine (vulgo Ken da Barbie) esteja bem no papel, fantasiei Idris Elba em seu lugar (no HQ Terra Um Steve Trevor é negro).

O longa mostra a faceta emocionante dos conflitos bélicos, os brindes em festa, as enfermeiras unidas, o ímpeto dos que querem um mundo mais justo; mas não esquece a parte triste do combate: a miséria, os mortos e feridos por toda parte. Além disso, entende que os dois lados saem perdendo. Louva o desfecho da batalha com bandeirinhas dos EUA mas o foco é na contribuição heroica de marginais anônimos e não só a tradicional vitória do homem branco americano.

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A protagonista é tratada com respeito, sem precisar despir-se de suas características genuinamente femininas. Diana não segue ordens, é fiel a suas origens e crenças. É inocente (pero no mucho), política e amorosa, especialmente quando indaga consternada: “porque estão machucando os animais?”. É ainda encantadora em seu desvio de rota quando avista um bebê na cinzenta Londres (inédito em Temiscira) e entregue ao momento de deleite ao provar sua primeira casquinha de sorvete!

Sobre as outras mulheres do filme, todas são amazonas excelentes, mas a secretária Etta Candy (Lucy Davis) merecia um desfecho mais digno. Grande mérito para a sutil alusão à Pele que Habito (2011), de Almodóvar, tanto pela escolha da atriz Elena Anaya quanto pela perturbadora máscara no rosto desfigurado da temível vilã Dra. Veneno.

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Nem a câmera lenta excessiva nas cenas de luta (ainda que bem coreografadas); nem a trilha padrão lacrimejante; nem o uso da música pop ao final (sorry, Sia); nem os deméritos do terceiro ato; nada disso diminui de forma alguma o impacto da produção. Além de elegante e épico, Mulher Maravilha vai além do esperado: emociona e diverte sem ofender e sem levar desaforo pra casa.

Parachoque de caminhão: Ela é de parar a guerra!

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