WMCA: Men, Women and Children

Gostaria de ter assistido Men, Women & Children (2014) mais jovem, o que seria impossível, claro… trocávamos fitas k7 e fotos reveladas em nossas correspondências, na época do 11/09/2001, data que pro filme já virou tema de trabalho de colégio. E hoje estamos imersos numa quantidade tão exorbitante de informação que chega a ser redundante de se constatar. O roteiro de WMCA (minha abreviação engraçadinha) traz situações bizarras apresentadas de forma interativa e acessível inclusive para o público de longas estrelados por Adam Sandler (que normalmente atrai para “comédias” canastronas, mas desta vez se mostra cansado e não há nada de engraçado ali).

O cenário remete aos dilemas do digníssimo Beleza Americana (1999), que retrata uma sociedade àquela altura atingida no máximo pelos reflexos do vídeo e as hipocrisias da mídia televisiva com similar foco na questão familiar e comportamental. A internet permeia as histórias, não como vilã, mas como elemento contemporâneo instaurado, e fica claro aqui não serem as ferramentas tecnológicas diretamente responsáveis pelos atos humanos, apenas emolduram a evolução natural e a moral dos indivíduos.

Na trama, um grupo de estudantes do ensino médio e seus pais se esbarram em conflitos reais, iniciados no campo virtual. Hanna Clint é uma jovem em fase de crescimento que mesmo ainda virgem, com seu magnetismo sexual impulsiona garotinhas mais jovens e inocentes a atitudes para as quais não estão preparadas e com consequências assustadoras… Sua necessidade nata de se mostrar para o mundo (patologia do século), e sua segurança medida pelo número de fãs em seu site, em grande parte são responsabilidade de sua própria mãe, que fatura online explorando os ares de ninfeta da cria. Mas a verdadeira bitch é a controladora Patrícia, cuja filha Brandy é uma garota bacana e inofensiva, constatação que funciona como um limite à invasão de privacidade obsessiva implantada por alguns pais.

Tim se realiza por meio de seu personagem num RPG online, onde por azar não encontra amigos, mas certamente está mais seguro nas dungeons, muito mais lógicas do que o futebol de que foge. Descobriu pelo “fb” o noivado de sua mãe que o abandonou, e gostaria de compartilhar a desilusão com alguém real. Em todo caso, para ele não faz muita diferença em termos cósmicos a coragem de se aproximar…

Outro tema delicado, ainda que batido, abordado em Men, Women & Children é a infidelidade cometida por insatisfação ou por incapacidade de encarar os problemas conjugais de frente, equiparada às ilusões e à artificialidade ofertadas pela pornografia. WMCA foi uma boa surpresa nos cinemas, e embora já venha mastigado, de forma alguma deixa de ser impactante, belo ou se torna superficial.

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