Visita ao Cabaret Glory Box

Faltou a música título no cardápio do Cabaret Glory Box? GESAMTKUNSTWERK! “Se é bom o bastante para Frida Khalo, it’s good for me…” Divas de longo, leques de plumas, tranças voadoras, meias rasgadas e um strip automático. Romeo metaleiro, “When I think about you I touch myself!” se despe de suas botas e tem tetas! Infinitos banbolês rodopiando por Anna Lumb, enquanto ela come a banana, outrora um volume suspeito. Poder esconder a nudez atrás do cabelo e no transe do headbang se soltar… BANG BANG! entre soluços, finda a cerveja. “And I need your love tonight!”: a perfeita representação da mulher pedinte e entregue, coberta apenas por pérolas que pode rasgar… Corações ocultam alfinetes, vermelhos balões explodem ao toque do cigarro e estouram contra o corpo… “Voltamos em instantes, hora de tomar uma!” (Com o segundo chopp, meu único companheiro, decido testar a proximidade do piso…) Retomando o vermelho glitter do Ato 1, a inacreditável pin-up dos banbolês retorna e a sua frente cerca de 13 garrafas de Moet Chandon aguardam ser pisadas pelos enormes saltos da moça. Não sem ingerir uns goles enquanto se equilibra! Sim, o paraíso! Um corvo aterriza entre as sacolas de lixo e garrafas PET enquanto eu retorno ao meu lugar do alto, privilegiado. Presa entre as grades, uma loba ensaia seus sustos no freak show enquanto Thom Yorke uiva e eu novamente choro no escuro. Finalmente, o enorme coração será resgatado do topo do palco por PJ Harvey, que veio do deserto andando em pernas de pau presas por ataduras “To bring you my love”… e eu cantando sem ser ouvida a todos pulmões! Vênus carrega seus verdes véus e sacode os badulaques de sua roupa de dançarina do ventre. Agride a terra – João Cabral de Melo Neto escreveria um livro sobre a proeza de sua performance – com seus intensos e agressivos passos de posse (e de passe?). A dama de fogo apresenta as irmãs siamesas: “Platéia, vocês precisam se proteger! Cubram-se, escondam-se nestes seus lençóis!” A Rainha Láctea dá leite, cospe fogo de leite, e não satisfeita com o gozo, faz render as duas garrafas banhando de leite também os mais próximos e temerosos espectadores. Agora tudo é branco, para limpar a sopa de tomate que manchou o vestido branco e sangrou o corpo vestido de nada que anda sem ameaças, apenas aplaudido, intensamente aplaudido… Impossível dizer adeus a tanto brilho, glamour e intensidade! Voltem sempre, Finucane & Smith, entre as lanternas vermelhas do agora universal bar avant garde chinês.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s